domingo, 30 de outubro de 2011

EGO.


Ego

Todos nós nascemos sem um ego. Quando uma criança nasce, ela é apenas consciência: flutuando, fluindo, lúcida, inocente, virgem, sem ego. Aos poucos, o ego é criado pelos outros. O ego é o efeito acumulado das opiniões dos outros sobre você.

Um vizinho chega e diz "Que criança bonita!", e olha para a criança com um olhar de apreciação. Então o ego começa a funcionar. Alguém sorri, uma outra pessoa não sorri. Algumas vezes a mãe é muito carinhosa, outras vezes está muito zangada.

E a criança vai aprendendo que não é aceita como ela é. Seu ser não é aceito de forma incondicional: há condições a serem satisfeitas. Se ela grita e chora e há visitas na casa, sua mãe se zanga. Se ela grita e chora, mas não há visitas na casa, sua mãe não se importa.

Se ela não grita, nem chora, sua mãe a recompensa sempre com beijos amorosos e com carinho. Quando há visitas, se a criança sabe ficar quieta, em silêncio, sua mãe fica muito feliz e a recompensa. A criança vai aprendendo as opiniões dos outros sobre si mesma olhando no espelho dos relacionamentos.

Você não pode ver a sua face diretamente. Você tem que olhar em um espelho, e no espelho você pode reconhecer sua face. Esse reflexo se torna sua ideia de sua face, e há milhares de espelhos a seu redor, todos eles refletindo algo. Alguém o ama, alguém o odeia, alguém é indiferente.

E então, aos poucos, a criança cresce e continua acumulando as opiniões de outras pessoas. A essência total dessas opiniões dos outros constitui o ego. A pessoa começa a olhar para si mesma da forma como os outros a veem. Começa a se olhar de fora: isso é o ego.

Se as pessoas gostam dela e a aplaudem, ela pensa ser bela, estar sendo aceita. Se as pessoas não a aplaudem e não gostam dela, rejeitando-a, ela se sente condenada. Ela está continuamente procurando formas e meios para ser apreciada, para ser repetidamente assegurada de que possui valor, que possui um mérito, um sentido e um significado.

Então a pessoa passa a ter medo de ser ela mesma. É preciso encaixar-se na opinião dos outros.

Se você deixar de lado o ego, subitamente se tornará novamente uma criança. Você não estará mais preocupado com o que os outros pensam sobre você, não prestará mais atenção àquilo que os outros dizem de você.

Nesse momento, terá deixado cair o espelho. Ele não tem mais sentido: a face é sua, então por que perguntar ao espelho?

Osho, em "Osho de A a Z: Um Dicionário Espiritual do Aqui e Agora

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

PAZ


"O que é a paz?
Para a maior  parte das pessoas, esta palavra evoca a possibilidade de viver tranquilamente ao abrigo de qualquer agressão. Mas, na realidade, a paz é uma coisa completamente diferente; é o trabalho mais intenso que pode ser realizado no mundo por seres que aprenderem que ela é, em primeiro lugar, um estado interior. Este estado é o resultado de uma vitória obtida com autoridade sobre todos os antagonismos psíquicos que nos dividem.  Para conseguirmos instalar a paz em nós, devemos restabelecer todos os dias a ligação entre a nossa consciência e os centros espirituais que existem no nosso cérebro e no nosso plexo solar.
Quando o conseguimos, nem os tormentos, nem as angústias tomam verdadeiramente posse de nós. Mas devemos agarrar-nos solidamente a um ponto fixo em nós, senão nada nem ninguém pode, do exterior, trazer-nos a paz."
OMRAAM MIKHAEL AIVAN OV

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

È preciso buscar seus motivos na vida espiritual

Os instrumentos que servem a quem pratica um esporte são os mesmos, em potencialidade, a quem produz um quadro; ambos estão extravasando seus sentimentos.
O Homem busca sempre a perfeição em seus atos na vida terrena, mas se esquece de buscar seus motivos na vida espiritual.
É preciso que ele vá buscar em seu passado encarnacional os motivos presentes do sofrimento e também das alegrias.
Todo ser humano já viveu vidas diferentes; é natural que de todas suas oportunidades traga algo pertencente as suas andanças. É por isso que muitos trazem aptidões sem que percebam que são oportunidades vividas em outras vidas e, por que não dizer, também em outros planos.
As experiências marcam uma oportunidade e é bem nítida toda sua impressão, que deixa profundos traços de caráter, pois toda a vivencia de cada espírito fica em seu lastro encarnacional, e é sua marca de personalidade..
-- Uma vida influi na outra oportunidade?
Existe uma personalidade própria em cada encarnação, inclusive pela herança genética de sua família. Mas existe um toque indelével em sua personalidade que o liga ao passado; é tão forte que, às vezes, em muitas encarnações há a recordação de ter vivido cenas completamente iguais muitas vezes.
O espírito guarda seu lastro de emoções. É bem verdade que ele tem que trilhar novas experiências, grandes emoções, mas é também verdade que todas as vezes que ele encarna adquire novas oportunidades de colocar a prova seu livre-arbítrio, seu proceder mais intimo no jogo da vida, que dá sempre novas oportunidades para que ele se eleve que possa cumprir com dignidade aquilo que aqui veio fazer.
O tempo é limitado a cada experiência, portanto, não deve o humano desperdiçar com futilidades sua vida, pois ele é a morada do espírito que veio não para gozar de bens fúteis, materiais, mas sim para se pôr ao dispor de seu irmão, veio para amar e ser amado, dar aquilo de que é formado.
O homem luta sempre contra a própria personalidade, luta para que seus desejos sejam satisfeitos, esquecendo-se de que está em seu lado intimo, em sua essência, tudo o que de mais puro traz, e sofre; ao mesmo tempo, perde grande oportunidade de crescer espiritualmente, de alcançar a plenitude do espírito, sua evolução, e vê sua permanência inútil, sua oportunidade perdida, e tudo voltado para o vazio de realizações.
A vida é dada sempre como oportunidade de ser vivida, como um prêmio e não como um castigo, para que todos se encontrem e se apoiem, mas também que sigam os sentimentos mais íntegros do se humano e que juntos alcancem a
LUZ, a PAZ, o AMOR.
Ramatís - O Despertar da Consciência
obra psicografada por Maria Margarida Ligouri

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Nosso Prisma



Muitos são os espíritas que não se interessam pelos fenômenos da alma. Chegam mesmo a desprezá-los, seja por não os compreenderem, seja por comodismo imobilista. Preferem um Espiritismo que enxergam como uma religião. E religião em moldes já ultrapassados: um ninho de certezas transcendentais, onde as pessoas se acomodem, fabriquem dogmas, intocáveis ortodoxias, carismas, mitos ... e bem delineados limites à investigação, por mais sadia e necessária que seja.
Cremos que a finalidade básica da Doutrina Espírita é redimir os homens. E redimir evangelizando-os, elevando-lhes os sentimentos e pensamentos, aperfeiçoando-os de modo a colocá-los em condições vibratórias que lhes permitam evolução espiritual rápida e segura. Não se deve desejar da Doutrina que ela transforme todos os homens em cientistas, pois a Ciência não é sinônimo de elevação espiritual; pelo contrário, é apenas instrumento desta. Sabe-se, à saciedade, que esforços intelectuais, pura e simplesmente, não levam à meta; áridos, despovoados de vivências, só passam a ter fecundidade quando submergidos na prática da caridade evangélica. Julgamos de fundamental importância, por isso, incrementar a faceta religiosa do Espiritismo por todos os modos e meios a nosso alcance, porque ela constitui um alicerce indestrutível para a elevação espiritual das criaturas e da Humanidade como um todo.
Cremos também que a religião, unindo a criatura ao Criador, deve ser entendida e vista em sua natural amplitude, isto é, dentro de um contexto cósmico. Precisa ser vivida de modo arejado, cada criatura se sentindo imersa em sua própria eternidade, aberta a horizontes infinitos, e ungida de fé inabalável - porque sempre pronta à iluminação, à pesquisa e ao aprendizado. Uma vez que a criatura vislumbre o Cristo Cósmico em si própria, a meta se torna próxima. E a atrai.
Cremos que a Doutrina Espírita, em respeito às próprias formulações e à ampla visão de seu Fundador, não deve enveredar pela trilha fácil e descendente dos decadentes. Estaríamos, assim, no bojo de mais uma religião estática, limitada por dogmatismos sectários e infestada de particularismos e personalismos rasteiros. Infelizmente, esta degradação já se esboça no Espiritismo. Em prejuízo do Espírito.
Cremos que a intolerância religiosa e o culto artificial da pureza doutrinária são incompatíveis com os horizontes da Doutrina dos Espíritos, dinâmica e sempre atual por sua própria natureza, ensejando progresso e aprendizado contínuos. Limitar-se ao passado, em nome de pureza e cânones ortodoxos, é voltar a cair no poço de onde KARDEC e os Espíritos quiseram tirar a Humanidade. Não podemos esquecer: foi, precisamente, invocando a pureza da Lei Mosaica, que o Sinédrio crucificou JESUS. A intolerância medieval também invocou a pureza dos ensinamentos de CRISTO para levar milhares de criaturas à morte, em fogueiras infamantes e cárceres infectos.
Não é possível o Amor sem Liberdade. O Amor à Verdade, também.
Este é o nosso prisma.
Jose Lacerda de Azevedo (Espirito e Matéria)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011





Meditação Pelo Brasil

Um Exercício Prático de Construção do Futuro

Carlos Cardoso Aveline

Esta é uma meditação que rompe o circuito fechado de imagens negativas sobre o Brasil e abre espaço para o processo de regeneração social que marcará o nosso futuro.

Você pode praticar esse exercício individualmente ou em grupo, em sua associação, sindicato ou movimento comunitário. De preferência, escolha um local onde haja silêncio e ar puro.

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1 - Sentado, com os pés bem plantados no chão, as partes superiores e inferiores das pernas formando ângulo reto, fique com a coluna ereta.

2 - Respire calma e profundamente. Deixe de lado toda preocupação com assuntos pessoais de curto e médio prazo.

3 - Relaxe os pés, depois as pernas, as mãos, os braços, e finalmente os músculos do rosto. Sinta o contraste entre a musculatura relaxada e a coluna vertebral firme. Assim devemos ser diante da vida: firmes no essencial e flexíveis no que é secundário.

4 - Pense na dor centenária do povo brasileiro e no sofrimento coletivo que houve desde o ano 1500. Pense nos jovens e velhos que sofrem devido às secas, às enchentes, à miséria, ao desemprego, à violência urbana, e à falta de atendimento nos hospitais públicos. Pense na sua própria dor. Em tudo o que você sofreu até hoje. Perceba como a experiência humana transmuta a dor em sabedoria. Admita que todo obstáculo, grande ou pequeno, existe para ensinar-nos uma lição, e que nossa tarefa diante da vida não é lamentar-nos, mas crescer interiormente.

5 - Veja agora a intuição e a solidariedade iluminando as relações entre todos os brasileiros. Imagine a população despertando para o mundo espiritual a partir da sua vida diária concreta. Cada cidade acordando para a solução fraterna e participativa dos seus problemas imediatos.

6 - Veja os meios de comunicação social atuando a serviço da vida, pesquisando e transmitindo sabedoria, e promovendo uma espécie de assembleia geral permanente do povo brasileiro, cujo grande tema seja como atuar de modo correto, individual e coletivamente, a cada momento da vida cotidiana. Visualize o rádio, a televisão e os jornais brasileiros defendendo os interesses da nossa população. Decida fazer alguma coisa de prático a respeito, ou renove a sua decisão se ela já foi tomada.

7 - Visualize dirigentes sinceros ouvindo de coração o povo brasileiro, em nível federal, estadual e municipal. Imagine a sua cidade e o Brasil como territórios livres da desonestidade e do sofrimento que ela causa. Como espaços livres para a nova era de fraternidade entre todos os seres. Guarde consigo esta imagem. Mantenha-a nítida em sua mente e coração.

Faça com que ela seja mais forte que quaisquer sentimentos negativos. Assim você estará não só desenvolvendo o poder da sua vontade espiritual, mas também será um foco criador de uma sociedade melhor.

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Texto reproduzido do livro “A Informação Solidária”, de Carlos Cardoso Aveline, Edifurb, Blumenau, SC, 86 pp., 2001, pp. 72-74.

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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Onde encontrar Deus

Deus está em nós e fora de nós, e pode-se dizer a mesma coisa do nosso Eu superior. A maior parte dos seres humanos não tem uma consciência suficientemente desenvolvida para sentir, dentro de si, a presença desta sublime entidade que é toda luz, todo amor e onipotência.
A primeira tarefa de um espiritualista é a de procurar, dentro de si, todas as pistas de tal presença, sabendo que é o seu verdadeiro eu.
Foi dito: ‘Conhece-te a ti mesmo!’
Para se conhecer verdadeiramente, é preciso se conhecer no alto, no mundo divino. Enquanto o ser humano não tiver tomado consciência de existir no alto como uma partícula da Divindade, nunca se conhecerá e não possuirá nenhuma qualidade divina. Conhecer-se significa encontrar-se a si mesmo e ao mesmo tempo encontrar Deus.
Quando se encontra Deus, encontra-se o amor, a luz, a liberdade, a alegria e não apenas dentro de si, mas em todos os seres humanos e também nos animais, nas plantas e nas pedras.
Quando Deus é encontrado em si mesmo, Ele é descoberto por toda a parte, em toda a natureza, e isto significa conhecer-se verdadeiramente.


- Omraam Mikhaël Aïvanhov -(1900-1986): Mestre espiritualista búlgaro, que morou a maior parte de sua vida na França, onde fundou a Fraternidade Branca Universal

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

NA TRILHA DA REFORMA INTERIOR

Toda transformação tem raizes no cotidiano, e não há melhor maneira de evoluir espiritualmente do que vivenciando, dia a dia, as proposições que conduzem o ser humano nesse sentido. Aqui são expostos alguns pontos básicos dessa jornada evolutiva.
O tempo é precioso. Os minutos, às vezes, até parecem escorrer lentamente. Mas uma vida inteira pode se derramar, com surpreendente rapidez, pela interminável repetição do momento presente que chamamos de "agora".
No plano material, nossa eternidade que é interior - não existe. O passado é feito de memórias; o futuro é imaginação. De instante em instante, escoa o tempo que nos é dado viver. O período de uma existência humana é relativamente breve e deve ser aproveitado da melhor forma possível.
A vida se enriquece quando ultrapassa a mera busca de conforto - seja físico, emocional ou mental. No entanto, isso requer disciplina, criatividade, desapego e um amplo conjunto de virtudes que cada indivíduo irá desenvolvendo, de acordo com suas próprias decisões, ao longo do tempo.
Para o dr. Jayadeva Yogendra, instrutor do The Yoga Institute, na índia, um programa pessoal para uma vida mais completa, voltada ao crescimento espintual, pressupõe os seguintes pontos básicos:
1) Aceitar as situações da vida - "Ioga é a arte de viver", diz ele. Na ioga, aprendemos a aceitar a vida como ela é, a buscar seu significado, a desenvolver confiança na natureza e no futuro. E preciso observar a realidade serenamente, sem as distorções do apego ou da rejeição.
2) Colocar nossos deveres numa escala de prioridades - Seja definindo prioridades ou compreendendo nossas próprias motivações, é indispensável estudar nossa natureza interior. Como me relaciono com a vida? Quando decido fazer algo, surge em mim um sentimento de dever? Posso cumprir meus deveres experimentando o prazer do trabalho bem-feito, sem esperar recompensas?
3) Participar plenamente da vida - A sinceridade, a devoção e a consciência do dever geram atenção e concentração. A estabilidade da nossa atitude mental deve ser cultivada. Assim, o significado do trabalho iniciado torna-se cada vez maior. Nosso nível de consciência passa por uma mudança sutil, mas abrangente.
4) Ampliar constantemente nossos horizontes - Devemos superar nossa visão limitada de nós mesmos e do mundo ao nosso redor. Fora dos muros de todo pensamento egoísta está a consciência mais ampla que dá o verdadeiro sentido à vida. É recomendável, portanto, avaliar constantemente nossa capacidade de deixar de lado nosso pequeno "eu". Devemos ter urna direção definida na vida porque a dispersão de metas impede uma existência com frutos mais duradouros.
Quando se pensa em um programa de autodesenvolvimento espiritual, o primeiro grande desafio é reunir a vontade necessária para colocá-lo em prática. Uma vontade concentrada e organizada será vitoriosa, a curto ou longo prazo, especialmente se a meta escolhida for pura e altruísta. Uma vontade dispersa ou dividida, em compensação, é garantia de indecisão e fracassos.
"Toda tendência da nossa vida moderna, com seus confortos", escreveu Clara Codd, "é destruir nossa vontade e nossa capacidade de resistência". Só tem vontade firme aquele que é capaz de dizer não a si mesmo e de enfrentar dificuldades, aquele que tem mais prazer em fazer a coisa certa que em fazer a coisa fácil.
No início, fazer o que é correto pode ser difícil. Com o tempo, torna-se um hábito agradável. A disciplina, no princípio, é como veneno, mas acaba co mo néctar, ensina o Bhagavad Gita. O fortalecimento da vontade é essencial. "0 homem auto-indulgente nunca pode vir a ser o santo, o iluminado, aquele que irradia Deus", explica Clara Codd.
Outro aspecto da vontade fraca é a indecisão. Ninguém com essa característica pode ser feliz por muito tempo. Tomada a decisão de seguir por um caminho, é preciso ir adiante mesmo que as emoções resmunguem o contrário. Depois de um bom tempo, pudesse fazer uma avaliação dos resultados e corrigir a estratégia, se necessário.
Fonte: Trecho extraído da publicação de Carlos Cardoso Aveline na revista Planeta - Abril 1997

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Cultivo da Tranquilidade


O Cultivo da Tranquilidade

É Mais Eficaz Avançar Passo a Passo

Sílvia Lúcia de Oliveira


“Não faz nenhuma diferença o que nós fazemos;

o que importa é como nós fazemos qualquer coisa.

E como sempre há algo sendo feito, nós sempre

temos a oportunidade de fazê-lo corretamente.”

Robert Crosbie

O tempo parece-nos na maioria das vezes curto o suficiente para justificar a agonia de fazer tudo rápido, de um jeito qualquer, dispensando caprichos e reflexões que exigiriam mais alguns minutos. Escoando no atropelo, vamos alinhavando uma vida sem debruns e acabamentos. Deixa-se de lado o que parece à primeira vista ser dispensável, utilizando um critério de escolha que prioriza rapidez e sacrifica todos os demais quesitos. E sobe a pressão arterial aos solavancos de um viver turbinado de afazeres.

Fazemos as coisas sem nelas pensar, sem que nossa mente se permita sedimentar decisões, questionar sentidos e significados. Muito do estresse cotidiano e de suas conseqüências pessoais e coletivas é fruto desse tocar a vida ao ritmo de urgências fabricadas. A agitação física e mental estabelece um turbilhão de pensamentos simultâneos que turvam a atenção e sobrecarregam nosso sistema de raciocínio. Cansamo-nos mais, atrapalhamo-nos desejando abarcar vários assuntos num só ato. E pior, prosseguimos deixando coisas caírem pelo apressado caminho de nossa existência.

Entretanto, por mais que sejam atravessados momentos ou situações agitadas, a mente tranqüila sempre será mais capaz de buscar e encontrar as melhores alternativas, abreviando esforços e frustrações. Nossas ocupações podem ser adequadamente cumpridas na cadência dos dias, sem a necessidade de nos preocuparmos com o que possa eventualmente deixar de ser feito. O tempo mostrará se o que foi deixado para trás fará ou não falta. Na maioria absoluta das vezes, as pequenas falhas cotidianas não se transformarão em perdas irreparáveis.

Podemos fazer muitas coisas se nos permitirmos dar um passo de cada vez, um após o outro, sem nos desviarmos de metas propostas e procurando sempre a melhor forma possível. Com o pensamento liberto das pressões desnecessárias, conseguimos olhar a vida saboreando suas cores, seus sabores e principalmente estabelecendo importância adequada a cada momento.

A tranqüilidade é o fruto maduro de uma atitude de viver caprichosamente germinada nos pequenos atos e nas situações banais do dia a dia. Tranqüilidade se cultiva, com zelo e cuidado persistentes; não se compra pronta e nem se engole em cápsulas. Quando se alcança tal equilíbrio, se descobre uma serenidade profunda e duradoura, jamais conquistada com a química dos remédios.

Retornando às palavras iniciais de Crosbie, o que importa na vida é o modo como fazemos as coisas, independente de serem simples ou complexas; rotineiras ou não. O fundamental é caprichar, fazer bem feito e, como a pressa sempre foi inimiga da perfeição, manter sempre a calma e a preservar a tranqüilidade.

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A crônica acima foi publicada inicialmente na edição de 15 de maio de 2010 do jornal 'Agora', em Rio Grande, RS.


imagem: google

sábado, 23 de julho de 2011

O Significado da Paz


Um rei que ofereceu um prêmio ao artista que pintasse o melhor quadro que representasse a paz. Muitos artistas tentaram. O rei olhou todos os quadros, mas apenas gostou mesmo de dois, e teve de escolher entre ambos. Um quadro retratava um lago sereno. O lago era um espelho perfeito das altas e pacíficas montanhas a sua volta, encimado por um céu azul com nuvens brancas como algodão. Todos os que viram este quadro acharam que ele era um perfeito retrato da paz. O outro quadro também tinha montanhas. Mas eram escarpadas e calvas. Acima havia um céu ameaçador do qual caía chuva, e no qual brincavam relâmpagos. Da encosta da montanha caía uma cachoeira espumante. Não parecia nada pacífica. Mas quando o rei olhou, ele viu ao lado da cachoeira um pequeno arbusto crescendo numa fenda da rocha. No arbusto uma mãe pássaro havia feito seu ninho. Lá, no meio da turbulência da água feroz, se instalara a mãe pássaro em seu ninho em perfeita paz. Qual pintura você acha que ganhou o prêmio? O rei escolheu a segunda Sabe por quê? "Porque," explicou o rei, "paz não significa estar num lugar onde não há barulho, problemas ou trabalho duro.”Paz significa estar no meio disso tudo e ainda estar calmo no seu coração. Este é o significado real da paz

domingo, 17 de julho de 2011

Toda Natureza é Consciente!


Toda Natureza é Consciente

A psicologia “moderna” mantém uma triste ilusão antropocêntrica: a ilusão segundo a qual o ser humano é o dono exclusivo da consciência.

Assim como outras áreas de conhecimento científico, a psicologia convencional parte da premissa de que o universo é inconsciente. Ela pensa que o mundo vegetal também é inconsciente. Ela vai além e considera que o mundo animal é inconsciente, e que o próprio ser humano é, amplamente, governado por algo que ela insiste em chamar de “inconsciente”.

O que vemos nesta situação é uma forma estreita de consciência imaginando que só ela própria é consciência, e que tudo o mais no universo é destituído de inteligência.

A arrogância − neste caso − é diretamente proporcional à ignorância. Em pleno século 19, H.P. Blavatsky escreveu:

“A ordem inteira da natureza evidencia uma marcha progressiva em direção a uma vida mais elevada. Há um planejamento na ação das forças aparentemente mais cegas. Todo o processo de evolução, com suas adaptações intermináveis, é uma prova disso. As leis imutáveis que eliminam as espécies fracas e frágeis, abrindo espaço para as fortes, e que asseguram ‘a sobrevivência do mais adaptado’, embora sejam cruéis na sua ação imediata − trabalham todas em função daquela grande meta. O próprio fato de que ocorrem adaptações, e que os mais adaptados realmente sobrevivem na luta pela existência, mostra que o que é chamado de ‘Natureza inconsciente’ constitui na verdade um agregado de forças manipuladas por seres semi-inteligentes (Elementais) guiados pelos Espíritos Planetários Superiores (Dhyan Chohans), cujo agregado coletivo forma o verbum manifestado do LOGOS imanifestado, e constitui ao mesmo tempo a MENTE do Universo e a sua LEI imutável.” [1]

E H.P. Blavatsky acrescenta, na edição original do texto, a seguinte nota de rodapé:

“Tomada em um sentido abstrato, a Natureza não pode ser ‘inconsciente’, porque ela é a emanação da consciência ABSOLUTA e portanto é um aspecto desta (no plano manifestado). Onde está o homem suficientemente audaz para pretender negar que a vegetação e mesmo os minerais têm uma consciência própria e peculiar? Tudo o que ele pode dizer é que esta consciência está além da sua compreensão.”

Esta é mais uma evidência no sentido de que, segundo a teosofia, não há matéria morta no universo, e a consciência universal permeia tudo o que existe. Em seu livro “A Lei do Triunfo”, Napoleon Hill escreveu sobre a inteligência presente em cada célula orgânica, e ligou este fato a certos hábitos de alimentação:

“As células de toda vegetação, bem como as da vida animal, são dotadas de um elevado grau de inteligência. (...) Pelo fato de que muitas formas animais (inclusive o homem) vivem de devorar os animais menores e mais fracos, a ‘inteligência celular’ desses animais que entram no homem e se tornam parte dele traz consigo o medo nascido da experiência de ter sido comida viva.” [2]

De fato, a literatura teosófica ensina que comer carne − isto é, comer cadáveres de animais − é algo que embrutece o ser humano, e este embrutecimento começa pelo nível da inteligência celular. Napoleon Hill aborda a interação entre as emoções e os órgãos digestivos do ser humano:

“Sabe-se que os aborrecimentos, as emoções ou os temores interferem com o processo digestivo e, em casos extremos, detêm inteiramente este processo (.....). É claro, pois, que o espírito cumpre um papel na química da digestão e da distribuição dos alimentos” [3]

Napoleon Hill discute a relação entre o estado de espírito do indivíduo e a inteligência celular do seu corpo físico:

“A preguiça não é mais do que o resultado da ação de uma mente pouco ativa sobre as células do corpo. (.....) As células agem de acordo com o estado mental, exatamente da mesma maneira como os habitantes de uma cidade agem de acordo com a psicologia da massa que a domina. Se um grupo de cidadãos eminentes procura fazer com que a cidade adquira a reputação de ‘progressista’, esta ação influencia a todos os que vivem ali. Uma mente ativa e dinâmica conserva as células do corpo em constante estado de atividade.” [4]

E ainda:

“Os pensamentos dominantes na nossa mente − ou seja, os pensamentos mais profundos e freqüentes que nos vêm − influenciam a ação do nosso corpo. Cada pensamento posto em ação pelo cérebro atinge e influencia todas as células do corpo.” [5]

Não existem, portanto, coisas ou seres inconscientes. Existem apenas seres e objetos cuja consciência nós ainda somos incapazes de perceber. Em algum momento, a psicologia convencional terá que adequar-se à verdade dos fatos e ir além da pretensão darwinista do século 19, segundo a qual a única forma existente de consciência é a consciência verbal do hemisfério cerebral esquerdo do ser humano, aquela consciência que rotula e classifica, e que julga o futuro com base no passado.

Na verdade, toda natureza é consciente, embora nem todos os seres tenham a consciência individualizada, ou percepção auto-consciente. Além disso, é importante saber que a percepção auto-consciente – de acordo com o budismo e a filosofia esotérica – é também uma forma de ilusão, de maya. Para que se alcance a sabedoria, ela deve ser transcendida, ao mesmo tempo que é preservada como instrumento.

O hemisfério cerebral esquerdo é útil, mas as inteligências das outras áreas cerebrais também devem ser usadas. (Um Estudante de Teosofia)

NOTAS:

[1] “The Secret Doctrine”, Helena P. Blavatsky, “Theosophy Company”, Los Angeles, volume I, pp. 277-278. Na edição da Ed. Pensamento, SP. Ver “A Doutrina Secreta”, vol. I, pp. 308-309.

[2] “A Lei do Triunfo”, de Napoleon Hill, José Olympio Editora, RJ, 18ª Edição, 1997, 736 pp., ver p. 132.

[3] “A Lei do Triunfo”, obra citada, p. 58.

[4] “A Lei do Triunfo”, obra citada, p. 609.

[5] “A Lei do Triunfo”, obra citada, p. 614.

Fonte: Boletim O TEOSOFISTA, Agosto 2009.

http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=704