quinta-feira, 1 de março de 2012

A Árvore da Fraternidade Universal



A Árvore da Fraternidade Universal

Alguns Parágrafos Sobre
a Transição para o Novo Ciclo.

Helena P. Blavatsky

Nota Editorial de 2011

“A Árvore da Fraternidade Universal” é a parte final do ensaio de H. P. Blavatsky “The Beacon of the Unknown” [1]. Publicado pela primeira vez na França, em 1889, o artigo afirma que a tarefa dos teosofistas é construir o movimento esotérico de modo que ele venha a ser uma Arca e um refúgio em tempos difíceis:
“... Uma arca destinada, em um futuro não muito distante, a transportar a humanidade de um novo ciclo para além das vastas águas lamacentas do dilúvio de materialismo sem esperança.”
Na primeira metade do século 21, esta idéia é uma chave para compreender o futuro. Helena Blavatsky não se refere a “transportar a humanidade”, simplesmente. Ela diz que o movimento deve ser capaz de “transportar a humanidade de um novo ciclo” - para além da ilusão materialista.
O novo nasce no meio do velho, e a humanidade do novo ciclo - a humanidade do futuro - nasce da civilização do passado. Cabe a cada indivíduo examinar a que civilização ele pertence, e decidir de qual delas deseja fazer parte. Se optar pela humanidade do futuro, deverá abrir caminho até ela com independência e por mérito próprio, porque, na etapa atual, o caminho ainda pertence aos pioneiros.
Ao ler “A Árvore da Fraternidade Universal” , devemos levar em conta o fato de que a Sociedade Teosófica original deixou de existir alguns anos após Helena P. Blavatsky deixar a vida física, em 1891. Tem havido desde então um movimento teosófico com um grau importante de contraste e diversidade. Nos parágrafos seguintes, portanto, sempre que H.P. B. se refere a “Sociedade”, deve-se ler em vez disso “Movimento”.
(Carlos Cardoso Aveline)

NOTA:
[1] “The Beacon of the Unknown”, (“O Farol do Desconhecido”) “The Collected Writings of Helena Blavatsky”, TPH, Índia / EUA, volume XI, pp.212-283. Ver especialmente pp. 281-283 para o fragmento presente, que conclui o ensaio. O texto foi publicado pela primeira vez em francês em “La Revue Théosophique”, Paris. Ele apareceu parceladamente em várias edições de 1889.
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A Árvore da Fraternidade Universal
Helena P. Blavatsky

A nossa Sociedade é a árvore da Fraternidade, crescida de um grão plantado na terra pelo Anjo da Caridade e Justiça, no dia em que o primeiro Caim matou o primeiro Abel.

Durante longos séculos de dominação das mulheres e de sofrimento dos pobres, esse grão foi regado pelas lágrimas amargas derramadas pelos fracos e oprimidos.
Mãos abençoadas o transplantaram de um canto para o outro da terra, sob climas diferentes e em épocas distantes uma da outra. “Não faças aos outros aquilo que não desejas que os outros façam a ti”, disse Confúcio aos seus discípulos. “Tenham amor uns pelos outros, e amem todas as criaturas vivas”, pregou Gautama o Buda a seus Arhats. “Tenham amor uns pelos outros”, foi repetido como um eco fiel nas ruas de Jerusalém. É às nações cristãs que pertence a honra de ter obedecido a esse mandamento supremo do seu Mestre em toda a sua força paradoxal!

Calígula, o pagão, desejou que a humanidade tivesse apenas uma cabeça, para que ele pudesse cortá-la com um só golpe. Os países cristãos aperfeiçoaram este desejo que até então havia permanecido teórico, depois de procurarem, e finalmente encontrarem, os meios para colocá-lo em prática.
Que eles se preparem, portanto, para cortar as gargantas uns dos outros, e que exterminem mais pessoas em um dia em guerra do que os Césares mataram num ano inteiro. Que eles despovoem países inteiros e províncias em nome de sua religião paradoxal, e morram pela espada, eles que matam pela espada.

O que temos nós a ver com isso?
Os teosofistas são impotentes para detê-los. Isso é verdade. Mas está em seu poder salvar tantos sobreviventes quanto possível.
Sendo um núcleo de uma verdadeira Fraternidade, depende dos teosofistas fazer de sua Sociedade uma arca destinada, em um futuro não muito distante, a transportar a humanidade de um novo ciclo para além das vastas águas lamacentas do dilúvio do materialismo sem esperança.
Estas águas estão subindo e neste preciso momento inundando todos os países civilizados. Vamos nós deixar o bom perecer com o mau, por medo do clamor, do grito e do desprezo dos maus, seja contra a Sociedade Teosófica, seja contra nós mesmos? Será que vamos vê-los morrer um após o outro, um de cansaço, o outro procurando em vão pelo raio de sol que brilha para todos - sem jogar-lhes uma tábua de salvação? Nunca!
É bem possível que a bela utopia, o sonho filantrópico que visualiza o tríplice desejo da Sociedade Teosófica como uma realidade, esteja ainda bem longe. A liberdade inteira e completa da consciência humana sendo garantida a todos, a fraternidade estabelecida entre os ricos e pobres, e a igualdade entre os aristocratas e plebeus sendo reconhecida tanto em teoria como na prática - estes são castelos de Dom Quixote, e não por acaso.

Tudo isto deve acontecer naturalmente, de forma voluntária, por iniciativa de ambas as partes. No entanto, ainda não chegou o tempo em que o leão e o cordeiro estarão lado a lado em paz.
A grande reforma deve acontecer sem convulsão social, sem derramar uma gota de sangue, apenas em nome da verdade axiomática da Filosofia Oriental que mostra que a grande disparidade de fortunas, de posição social e de intelecto, é devida aos efeitos do Carma pessoal de cada ser humano. Nós colhemos apenas o que semeamos. Embora a personalidade física do homem seja diferente da de qualquer outro homem, o ser imaterial nele ou a individualidade imortal emana da mesma essência divina da consciência do seu vizinho.

Aquele que percebe profundamente a verdade filosófica de que cada eu superior começa e termina no TODO indivisível não pode amar seu próximo menos que a si mesmo. Mas, até o momento em que isso se torne uma verdade religiosa, a reforma não poderá ocorrer.
O provérbio egoísta segundo o qual “a caridade começa em casa”, e o outro que diz “cada um por si e Deus por todos”, levarão sempre as raças cristãs “superiores” a se oporem à introdução prática do belo ditado pagão: “Todo mendigo é como um filho de um homem rico”, e ainda mais daquele que diz: “Alimenta primeiro o faminto, e come, depois, o que sobrou”

Mas virá o tempo em aquela sabedoria “bárbara” das “raças inferiores” será melhor apreciada. Até lá, devemos tentar trazer um pouco de paz na terra aos corações daqueles que sofrem, levantando uma ponta do véu que esconde deles a verdade divina.

Os fortes devem apontar o caminho para os fracos e ajudá-los a subir a encosta íngreme da existência. Que eles voltem o seu olhar para o Farol que brilha como uma nova estrela de Belém no horizonte, mais além do misterioso e inexplorado mar das ciências teosóficas; e que os deserdados da vida retomem a esperança.

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O texto “A Árvore da Fraternidade Universal” foi publicado pela primeira vez no boletim eletrônico “O Teosofista”, edição de fevereiro de 2011. Sua publicação online como texto independente ocorre em novembro de 2011.

Visite sempre www.Filosofiaesoterica.com , www.TeosofiaOriginal.com e www.VislumbresdaOutraMargem.com .



imagem: Google

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O movimento depende daquilo que não se move.


O movimento depende daquilo que não se move.

(...) Arjuna parece estar preocupado que todas essas pessoas diante dele sejam mortas na Guerra, que deixem de existir. Krishna diz a ele que aquilo que existe sempre existirá, e aquilo que não existe nunca existe.

É bom que entendamos isso.

A religião sempre disse isso, mas a ciência também começou a falar nos mesmos termos. E é melhor começarmos com a ciência, porque a religião fala dos topos que a maioria das pessoas ainda não atingiu; a ciência fala sobre a base, sobre o chão, onde todas as coisas ficam.

Uma das descobertas mais profundas da ciência é de que a existência não pode ser posta na não-existência. Aquilo que existe não pode ser aniquilado. E aquilo que não existe também não pode ser criado.

Toda essa informação científica e know-how, todos os laboratórios do mundo e todos os cientistas do mundo juntos não podem aniquilar nem mesmo um grão de areia. Tudo o que podem fazer é transformá-lo, dar-lhe novas formas.

O que chamamos de criação do universo, o big bang, também não passa de uma manifestação de uma nova forma - não a criação de uma nova existência, apenas uma nova forma. E o que chamamos de "big crunch" não é a aniquilação da existência, apenas da forma, do formato. As formas mudam constantemente, mas o que está escondido dentro da forma é imutável.

É como a roda de uma carriola, que se move e gira, mas o ponto em seu centro se mantém estático. A roda gira ao redor de si. Aqueles que só olharem para a roda dirão que tudo é uma mudança, um fluxo. Aqueles que também olharem para o ponto central dirão que no centro de todo movimento existe algo que não se move, que permanece estático.

E o mais interessante é que se separarmos a roda do eixo, ela não é capaz de se mover! O movimento da roda depende daquilo que não se move. As formas mudam, mas a mudança depende daquilo que não tem forma, que não é mudado.

Quando Arjuna diz que todas essas pessoas morrerão, ele está falando sobre a forma. Ele está dizendo que todas essas pessoas serão aniquiladas; ele não sabe nada além da forma.

E Krishna está dizendo que não é que as pessoas que você vê hoje não existiam antes - elas existiam antes também: eu estava aqui antes e você estava aqui antes. E também não é que os que estão aqui hoje não estarão mais amanhã.

Não, nós estaremos aqui no futuro também - sempre, para sempre. A existência é do não-começo ao não-fim. (...)

Osho, em "Guerra e Paz Interior: Ensinamentos do Bhagavad Gita"

Publicado no blog palavras de Osho


imagem: Google

sábado, 21 de janeiro de 2012

Parasitismo ou Independência?



Parasitismo ou Independência?

A Dependência Deve Ser Transcendida, Para

Que Surja a Verdadeira Auto-Responsabilidade

The Theosophical Movement

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Segundo a teosofia clássica, a independência individual é

indispensável para que exista um verdadeiro auto-conhecimento.

Sem auto-responsabilidade, não há auto-libertação. A adesão

cega a um grupo leva ao parasitismo dos “rebanhos” inconscientes.

Neles, os cegos são conduzidos por cegos ao longo do caminho

“largo e fácil” que perpetua a ignorância. Porém a indispensável

independência individual é sobretudo interna, e não implica

separação nem separatividade. A independência é relativa: ela anda

junto com a interação e a interdependência que unem todos seres.

O texto a seguir é traduzido da edição de janeiro de 2010 de “The

Theosophical Movement”, a revista mensal internacional editada na

Índia por associados da Loja Unida de Teosofistas. O título original

é “Questions and Answers”, e o artigo foi publicado nas páginas 29-31.

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Pergunta:

Como distinguir a interdependência da dependência, e alcançar o verdadeiro discernimento sobre o que é ser independente?

Resposta:

O processo de crescimento é o avanço desde a dependência para a interdependência. Nós nascemos, em primeiro lugar, porque alguma mulher nos carregou durante cerca de nove meses em seu útero, e nos alimentou. Uma criança abandonada após o parto iria chorar até morrer. As crianças que são alimentadas mas não são acariciadas nem ganham colo, isto é, não recebem amor e calor humano, também morrem. Não existe algo como “homem independente”. Desde a nossa infância, ocorre uma contribuição de muitas pessoas para nós sejamos quem somos. Para as nossas necessidades básicas de alimentação, de roupas e de abrigo, nós dependemos de outros. Também somos emocionalmente dependentes dos outros, e da mesma forma os outros dependem de nós. Observamos esta dependência e interdependência nos reinos inferiores da natureza, e neste caso ela é descrita como simbiose, o que significa uma vida conjunta de organismos diferentes. Mutualismo é uma forma de simbiose em que a relação entre os indivíduos produz benefício para eles. No entanto, o parasitismo é a forma de simbiose em que um indivíduo é dependente e se beneficia às custas do outro. A interdependência pode facilmente degenerar em dependência se recebemos passivamente e sem retribuir. Passamos a usar o outro até o ponto de tirar dele sua energia física ou psíquica.

No momento em que reconhecemos que nós também necessitamos fazer nossa própria contribuição, o processo se torna uma interdependência. Caso contrário somos parasitas, ou, como o Bhagavad Gita assinala, somos apenas ladrões que recebem sem fazer uma retribuição. A lei da fraternidade universal se expressa no processo de cooperação entre os seres. Sabemos que uma cidade entra em completo caos quando os coletores de lixo, ou os químicos e farmacêuticos, ou os motoristas, entram em greve. Quando um país sofre de alguma calamidade, tal como terremoto, tsunami, fome ou recessão econômica, os seus efeitos são sentidos em outros países.

Em última instância, independência e interdependência devem ser elementos de um estudo sobre Carma Coletivo. “Ninguém pode cometer um erro sozinho, nem arcar sozinho com as consequências do erro.” Através das nossas ações boas ou más, nós aceleramos ou retardamos o progresso da raça humana, ainda que em uma proporção muito pequena. Por exemplo, vivendo neste século, temos à nossa disposição comodidades como um transporte melhor, computadores e equipamentos elétricos. Mas isso também significa ter que suportar crime, corrupção e poluição. Este é o aspecto coletivo do carma. Nele nós compartilhamos e suportamos consequências boas e más, pelo fato de fazermos parte do conjunto. Não estamos sozinhos nesta peregrinação. Temos que “chegar ao destino” na companhia de outros peregrinos e não através do isolamento. E no entanto, ninguém pode nos tirar do atoleiro e colocar-nos sob o sol. A mãe pode alimentar o bebê, mas a criança deve comer e fazer a digestão do alimento. Assim, também, nós somos ajudados por seres espirituais, mas cada indivíduo avança tomando decisões certas ou erradas. A interdependência é um fator importante do progresso espiritual, e é através da interdependência que a verdadeira independência é percebida.

A família, a nação, a raça humana, etc., nos deram algumas características, e, como indivíduo, cada vez que erradicamos uma má tendência da nossa natureza pessoal fazemos uma contribuição para a purificação das tendências da nossa família, da nossa nação e da raça humana; estamos mudando seu Carma como coletividade e afirmando a nossa independência. Mesmo vivendo na quarta ronda, Buddha e Shankara possuíram um conhecimento que a média da humanidade só irá adquirir na quinta e na sexta rondas.[1] O sr. William Judge escreve:

“Você pode percorrer a trajetória necessária em 700 encarnações, em sete anos, ou em sete minutos.” Um indivíduo pode avançar à frente da raça humana. [2]

No livro “Letters That Have Helped Me”, William Judge diz:

“Estou cansado das pessoas que bocejam uma e outra vez e são tão norte-americanamente ‘independentes’ - como se os seres humanos pudessem em algum momento ser independentes uns dos outros.” Este é o ponto central da questão. Existe um estado de liberdade positiva, no qual o indivíduo existe como um ser independente, mas unido a outros seres humanos, e em unidade com o mundo e a natureza. Um homem realmente livre desenvolveu a sua divindade até o ponto de ser capaz de viver com outros homens e mulheres sem interferir em suas vidas.

NOTAS:

[1] As Rondas são períodos extremamente longos de evolução das mônadas humanas. O tema é abordado na obra “A Doutrina Secreta”, de Helena Blavatsky. (Nota dos editores de www.filosofiaesoterica.com. )

[2] “Letters That Have Helped Me”, William Q. Judge, Theosophy Co., Los Angeles, p. 21.


Fonte: www.filosofiaesoterica.com e blog www.teosofiaoriginal.com

sábado, 7 de janeiro de 2012

O Despertar da Vontade.


O Despertar da Vontade
A Força Criadora Produz Magnetismo Positivo


A vontade é um fator ativo, é criadora, e tende a surgir do eu superior, ou alma espiritual. O desejo, porém, surge predominantemente do eu inferior, é inerte, e não consegue agir de modo construtivo.
A alma ganha magnetismo através do desenvolvimento da vontade. A verdadeira alquimia consiste em desenvolver simultaneamente o discernimento, a vontade, e a sabedoria. Neste processo, o sofrimento é um mestre indesejável, mas necessário.
Eliphas Levi escreveu:
“O príncipe Sakiamuni, conhecido como Buddha, disse que todos os tormentos da Alma Humana surgem do medo ou do desejo; e ele concluiu com duas frases que podem ser expressas deste modo: ‘Não deseje, pois, coisa alguma, nem mesmo a Justiça; espere, porque cedo ou tarde o céu irá estabelecê-la. O Nirvana não é aniquilação: ele é, na Ordem da Natureza, a grande pacificação’.”
Para Eliphas Levi, “querer sem medo e sem desejo é o segredo da vontade Onipotente”. [1] Aquele que nada deseja, é rico. Quem não teme coisa alguma está livre. Aquele que só quer o que é correto, é feliz.
Mas a Vontade só vence quando é ampla, e ela só é ampla quando é elevada. A vontade elevada é universal e altruísta, porque surge do eu superior ou alma espiritual. A verdadeira vontade é vitoriosa por dois motivos: 1) Ela aponta para a direção certa; e 2) Ela sabe esperar.
NOTA:
[1] “The Paradoxes of the Highest Science”, Eliphas Levi, TPH, Adyar, India, 1922, 172 pp., ver p. 88. A obra tem edição brasileira. Trata-se de “Os Paradoxos da Sabedoria Oculta”, da Editora Pensamento.


Fonte: O Teosofista é o boletim eletrônico mensal do websitewww.FilosofiaEsoterica.com e do blog www.TeosofiaOriginal.com

sábado, 31 de dezembro de 2011

Para um ANO NOVO...

Ser criador é ser parte de Deus

A vida somente é vida quando o amor arde dentro de você, quando a chama do amor é tão brilhante que começa irradiar a sua volta, a se espalhar para os outros, a ser sentida pelas pessoas - seu amor se torna quase tão tangível que as pessoas poderiam tocá-lo.

Assim, ele não é uma benção só para você, mas também para todas as outras pessoas.

Um homem verdadeiro é sempre um enriquecimento para o mundo, para a existência; ele contribui muito. Se você não pode contribuir com alguma coisa, nunca será bem-aventurado.

É por meio da contribuição com algo para a existência que você participa da obra do criador, pois você mesmo se torna um criador. Ser criador é ser parte de Deus - não há outro jeito.

Osho, em "Meditações Para o Dia"


imagem: Google


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O Plano das Trevas

O Texto é um pouco longo mas é importante

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O Plano das Trevas

Hugo Lapa

Certa vez, o senhor das trevas chamou toda a hierarquia infernal a fim de traçar os planos para implantar o mal em toda a humanidade. Outras reuniões como essa já haviam ocorrido em tempos passados, mas agora, com o advento de novos tempos, há necessidade de uma nova organização das trevas para atualizar seus planos contra a humanidade.

Então, os demônios de alta patente se reuniram e, atentamente, ouviram as instruções de seu chefe.

“Invoquei a presença de todos aqui com o objetivo de transmitir as diretrizes gerais para os novos tempos, a fim de se fazer do planeta Terra, na atualidade, um mundo cada vez mais sofrido, onde o mal predomine finalmente.”

Cada um de vocês deve ouvir atentamente as instruções que serão passadas agora, pois delas depende todo o sucesso de nosso trabalho.

“Para subjugar os seres humanos e fazer delas verdadeiros escravos, os principais pontos que todos devem se esforçar para implementar no mundo são os seguintes:

Em primeiro lugar, vamos estimular ao máximo nos seres humanos o orgulho e o egoísmo. Esses dois pilares devem ser a chave da submissão da humanidade. O orgulho, a soberba, a arrogância e a prepotência são os principais ingredientes de nossas realizações, pois farão com que cada ser humano se sinta melhor do que os outros; quanto mais existirem pessoas que se acreditam superiores, mais essa falsa percepção terá o poder de gerar divisões, disputas e conflitos. A soberba e a arrogância fomentarão o preconceito, a discriminação e a luta pelos direitos de uns se sobressaindo diante dos direitos de outros. Do orgulho brotará o sentimento de egoísmo, que fará com que os seres humanos busquem as coisas apenas para si mesmos, esquecendo que fazem parte de uma coletividade e dela dependem. Estimulando o individualismo ao invés do coletivismo; a competição ao invés da cooperação. Vamos influenciá-los a acreditar que podem levar uma vida totalmente isolada do restante, e mesmo assim serem felizes. Faremos com que a busca de benefícios apenas em proveito próprio seja o pivô de todas as relações humanas, e como consequência, os seres humanos estarão sempre brigando entre si por pequenas migalhas e farão de tudo para passar por cima uns dos outros. Dessa forma, estabeleceremos a competitividade, a violência, as distinções de classe social, dentre outras mazelas. Isso promoverá uma grande distância entre as pessoas e produzirá indivíduos solitários e carentes.”

“Muito bom senhor” respondeu um dos demônios. “Esse é sempre um bom plano”.

“Sim, mas não é só isso” – respondeu o Senhor do Submundo – “Há ainda mais ações a serem implantadas para nosso sucesso total.”

“Em segundo lugar, vamos implantar nas mentes humanas o pecado da vaidade. Vocês devem fazer com as pessoas sejam vaidosas a todo custo. Façam com que elas dêem mais atenção ao exterior do que ao interior. Se conseguirem isso, elas verão apenas a imagem que se encontra na superfície e serão cada vez menos capazes de enxergar além e ver aquilo que jaz oculto no interior de cada um. Isso contribuirá para a criação de pessoas mais voltadas às aparências do mundo e menos capazes de enxergar as coisas como elas realmente são. Vamos também confundir as pessoas e fazê-las acreditar que vaidade e autoestima são a mesma coisa; assim uma pessoa que cuida excessivamente de sua aparência terá a impressão que gosta de si mesma, que se ama, quando a verdade é o contrário disso. Quanto mais uma pessoa é exageradamente ligada a sua aparência, mais defeitos ela vê em si mesma, menos ela se aceita e consequentemente, menos ela se ama. Vamos promover a indústria da moda, dos cosméticos e das revistas de beleza para que as mulheres se sintam cada vez mais desajustadas e se voltem menos para as coisas que interessam – como o amor, o conhecimento, a paz, a sabedoria – e se voltem mais para o supérfluo e aquilo que é passageiro.”

Os demônios ouviam com atenção e curiosos sobre as próximas instruções do mestre das trevas.

“Em terceiro lugar, vamos promover ações principalmente no plano monetário, no mundo do dinheiro. Vamos estimular a cobiça, o sentimento de posse, e divulgar a ideia de que o ser humano mais realizado é aquele que possui mais sucesso profissional, mais bens, mais dinheiro guardado. Vamos confundir a mente das pessoas e fazê-las acreditar que o dinheiro é tudo na vida, e que todo o resto é secundário. Levando uma vida toda voltada à sobrevivência e à aquisição de bens materiais, não sobrará tempo para a família, para o encontro consigo mesmo, para leituras e para o conhecimento, para a reflexão, a oração e a meditação. Vamos fazer do dinheiro o píncaro da realização pessoal, assim não sobrará tempo para o que realmente é importante. O dinheiro não deve ser apenas um instrumento do viver, deve ser, isso sim, o fim da vida, seu objetivo primordial, a meta derradeira de todos os seres humanos. Quanto mais os seres humanos buscarem no dinheiro a realização, mais eles ficarão frustrados por não a encontrarem; ficarão tristes, deprimidos, solitários, carentes e vulneráveis. Fecharão os olhos para tudo e todos e se dedicarão, quase com exclusividade, ao sucesso do mundo da acumulação de capital. Eles ganharão mais e mais dinheiro, mas ainda assim não estarão satisfeitos, e vão buscar mais e mais, e nem vão desconfiar que o dinheiro nunca poderá preencher o espaço interior vazio do seu coração. Por outro lado, vamos fazer as pessoas serem consumidoras por excelência: toda a vida humana deve estar voltada ao consumo, mesmo que os bens consumidos sejam desnecessários. Faremos da compra algo ritualizado, que gera prazer e contentamento pessoal, assim as pessoas vão buscar fora de si algo que só poderia ser conquistado dentro. Vamos enganá-los com a ideia de que o dinheiro pode comprar tudo. Precisamos agir no mundo de tal modo que, aqueles que não têm dinheiro, vão sofrer pela sua ausência; e aqueles que têm dinheiro, vão sofrer pela possibilidade de perdê-lo. Tanto um como outro serão nossos escravos e não encontrarão a verdadeira realização: a realização espiritual”.

Os demônios apreciaram muito a explanação, e estavam sedentos de novas instruções.

“Além desses três aspectos” – continuou o senhor da escuridão – “há outros dois que devemos investir com todas as nossas forças, a ciência e a religião:

“Com relação à ciência, devemos tomar todas as medidas para que ela se torne materialista, tecnicista e voltada apenas aos interesses econômicos. A ciência precisa ser apenas técnica, sem alma, e tudo que se faça nela deve responder a interesses de grandes empresas; os cientistas devem estar sempre subjugados a grupos econômicos, para que suas ações não sejam livres e independentes. Isso ajudará a fazer com que a pesquisa científica seja controlada por grupos pequenos, que serão os detentores do direcionamento que será dado a trajetória da ciência. Expurguem completamente do campo científico qualquer debate sobre os limites éticos do conhecimento e disseminem a ideia de que, para o conhecimento humano, não há barreiras éticas e humanas. Faremos as pessoas dependerem completamente da tecnologia, a ponto de fazer com que uma ruptura no sistema seja a causa de um colapso geral. Assim, cada vez mais as pessoas vão acreditar que dependem da tecnologia e estão subordinadas a ela. Por outro lado, façam de tudo para que a ciência se torne dogmática, assim como a religião, e que haja uma constante disputa entre ambas, mesmo que em essência tanto a ciência como a religião seja duas faces de uma mesma moeda. Vamos estimular nos cientistas a preservação conservadora dos conhecimentos: fazer ela mais dogmática e menos investigativa, um verdadeiro depósito de certezas. Façam com que os cientistas não percebam que o conhecimento científico sempre possui um prazo de validade. É preciso traçar com firmeza e de forma bastante definida os limites que separam a ciência da religião, e que essa linha limítrofe se torne praticamente intransponível, pois com essas barreiras, os conflitos entre ambas vão desgastar, minar e atrasar o desenvolvimento de uma e outra, fazendo com que o ser humano precise escolher entre uma das duas e que sua consciência fique dicotomizada, totalmente dividida e em permanente conflito. De toda forma, é importante também descartar completamente qualquer intercâmbio entre essas duas formas de conhecimento, e rechaçar com veemência as novas pesquisas que ajudem a aproximar uma da outra. Os cientistas só devem acreditar naquilo que veem e acreditar que nada exista fora da ciência. Além disso, façam de tudo para deixar a consciência totalmente de fora da pesquisa científica, e estimulem ao máximo os cientistas a buscarem reduzir a realidade a um mero aglomerado de átomos inertes e sem vida. Façamos principalmente a ciência acreditar no acaso; acreditar que tudo surgiu do nada e para o nada retornará; façamos os cientistas acreditarem que a vida não tem um significado e que cada modelo científico é definitivo, e que deve resistir ao máximo à prova do tempo, mesmo que existam muitas evidências em contrário.”

“O segundo aspecto é a religião. Desde o primórdio dos tempos nós atuamos nas religiões, mas agora precisamos nos manter firmes nessa empreitada, pois a religião, caso seja transformada, tem o poder de mudar muitas coisas. A primeira e principal ação a ser reforçada nas religiões é, como vocês já sabem, estimular o fundamentalismo, o fanatismo e o dogmatismo. Os fiéis de um credo, qualquer que seja ele, devem acreditar piamente que apenas a sua religião é verdadeira e que todas as outras são falsas. Façam com que eles leiam os livros sagrados e os interpretem sempre ao pé da letra; façam com que eles não percebam a sabedoria oculta por detrás dos símbolos; deixe que eles acreditem que não há um significado simbólico nos ensinamentos, e que há apenas uma verdade literal, que deve ser conservada imutável a todo custo. Tornem todos eles submetidos sempre a uma hierarquia sacerdotal, que deverá lançar as bases do que se deve acreditar e do que não se deve acreditar. Assim, ninguém poderá promover mudança numa religião, pois tudo emanará da cúpula sacerdotal.”

“Façam também com que eles pensem que apenas alguns líderes têm o contato com Deus e que apenas eles podem servir de intermediários. Não permitam, em hipótese alguma, que os seres humanos descubram que eles não precisam de um intermediário entre o ser e o divino, e que a verdade pode ser alcançada pelo amor, pela sabedoria, pela compaixão e pela caridade. Procurem extirpar completamente dos cultos o silêncio, a oração e a meditação. Façam os rituais e as reuniões religiosas parecerem cada vez mais um show, com gritarias, barulho, orações repetidas e sem alma. Cuidem para que os líderes religiosos sejam adorados, que seu ego seja cultuado e que eles sejam encarados como semi-deuses na Terra. A personalidade dos líderes deve prevalecer sobre o conhecimento que eles propagam. Algo muito importante, e que não pode faltar nas religiões: a ideia do medo e do pecado. Façam com que as religiões amedrontem as pessoas, com noções de céu e inferno, e influenciem-nas a acreditarem que, uma vez no erro, não há redenção possível nem possibilidade de corrigir suas faltas. Não permitam, de modo algum, que surjam aqui e ali ideias de universalismo religioso, de ecumenismo e integração entre as várias crenças: as religiões devem competir umas com as outras pelos seus fiéis, e estes devem ser coagidos psicologicamente a permanecer toda a vida pertencentes a uma mesma denominação, sem nenhum questionamento. Façam com que o amor pareça uma coisa piegas, sentimentalista e sonhadora; façam com que a compaixão seja confundida com fraqueza; que a humildade seja considerada submissão; estimulem os adeptos a julgarem outras pessoas em nome da fé, e a separarem totalmente a teoria da prática, ou seja, a não incorporarem em suas vidas os mais elevados princípios morais de sua religião. Além de todas estas, há algumas ações menores, porém não menos importantes: façam os fiéis acomodados e anestesiados diante do mundo; façam os líderes religiosos controlar a vida dos membros; façam os fiéis debaterem sempre os mesmos temas e ficarem girando em círculos, sem saírem do lugar; estimulem ideias do tipo: ‘nós’ contra ‘eles’; façam com que eles se sintam pequenos e fracos diante do líder e da grandeza da religião; façam com que os membros se fechem mais dentro de si mesmos e se alienem do meio; promovam uma adoração desmedida da figura do mestre em detrimento do estudo e da prática dos seus ensinamentos originais. Com essas medidas, as religiões continuarão servindo aos nossos propósitos.”

Os demônios, muito interessados, anotavam tudo e procuravam assimilar cada aspecto citado, para que seu trabalho junto à humanidade fosse mais eficiente.

“Há agora alguns outros elementos em que devemos investir…” – disse o príncipe das sombras – “e eles são de extrema importância na modernidade”.

“Quanto à televisão, vamos fazer com que ela sirva aos nossos propósitos. Ao invés de ser um veículo de educação e civilidade, faremos com que se torne um amontoado de propagandas bastante sedutoras. Mesmo que as pessoas não precisem dos produtos anunciados, vamos criar nelas a necessidade de obtê-los, para pensarem que necessitam de muitas coisas para serem felizes. Faremos com que seja promovida a vaidade, a sexualidade desregrada, a cobiça, a alienação, a soberba e a arrogância. Vamos promover uma inversão de valores, e fazer com que as pessoas se atenham ao superficial. Quanto mais elas se detiverem nas imagens sedutoras da telinha, mais elas esquecerão de encontrar a sabedoria dentro de si mesmas. Valorizem o mundo do entretenimento; coloquem homens e mulheres sem roupa e sensuais, para despertar os instintos mais primitivos; tratem as mulheres como objetos na TV e nas revistas, e mostrem-nas apenas como um corpo bonito, porém sem essência, vazio por dentro. Façam uma imprensa tendenciosa, que não represente as diferentes forças sociais, mas que apenas preservem os interesses dos poderosos do mundo. Usem a arma da informação para manipularem a vontade as mentes das pessoas, e o melhor de tudo, façam com que elas pensem que as opiniões são delas mesmas, que as ideias apresentadas nasceram de seu pensamento, assim elas dificilmente perceberão que estão sendo manipuladas. Elas irão acreditar firmemente que as ideias surgiram em suas mentes, e assim jamais vão questionar algo que, segundo creem, teria sido gerido e processado pelo seu pensamento (mas que em realidade não foi). Os homens jamais podem se defender de algo que não conhecem e não percebem. Se eles não perceberem que estão sendo manipulados, não serão capazes de resistir à nossa dominação. E não se esqueçam: veiculem na TV a todo momento cenas de violência, para que os atos criminosos fiquem bem assentados no inconsciente coletivo, pois dessa forma, a violência se tornará corriqueira, comum e natural, pois, assim sendo, quase não será questionada seriamente com ações concretas. Só mostrem o negativo pela TV, ocultem ações positivas e humanistas, para que as pessoas acreditem que o mundo é essencialmente mau e que não há esperança de ser diferente.”

“Quanto à música, vamos retirar seu caráter de elevação da consciência humana, de contato com as emoções, do dinamismo imaginativo e criativo e de conscientização social. As músicas devem, assim como a TV, estimular a alienação e a degradação sexual. Em vez de conservar viva a tradição de um povo, com sua identidade, ela deve, ao contrário, fazer o ser humano esquecer suas origens. Um povo sem memória é muito mais propenso a repetir os erros do passado, reeditando antigas mazelas, sem aprender com elas. A música atual deve ser cada vez mais barulhenta, pois assim o ser humano se tornará incapaz de ouvir a natureza e a si mesmo.”

“Quanto ao meio ambiente, façamos com que eles destruam a natureza, para que, dessa forma, eles destruam a si mesmos. Vamos nos empenhar para que o ser humano acredite ser o senhor da natureza; vamos estimular ações de conquista, e não de integração com o meio natural. O homem deve se impor no meio ambiente, as ruas, as calçadas, o lixo, as casas, todas devem ser construídas de modo que representem a sobreposição do homem diante da natureza, como se ele fosse seu domador. Não deixem que eles percebam que são parte da natureza, que são filhos da terra, e que a ela devem a sua sobrevivência. Não permitam, em hipótese alguma, que o ser humano encontre o elo que o une, de forma indissociável, ao seu lar natural, pois se assim o fizer, ele terá mais força, vitalidade e saúde. Estimulem ações do homem contra seus irmãos menores, os animais, e façam-nos acreditar que os animais só existem para servi-lo, e não para conviver com ele. Façamos também com que os homens se tornem cada vez mais intoxicados. Ao invés de usarem produtos naturais, que eles usem apenas produtos industrializados, modificados quimicamente, pois um homem intoxicado é muito mais vulnerável a nossa dominação do que um homem de vida natural e sadio. Estimulem a procura de remédios alopáticos que visem apenas abafar os sintomas de uma doença, para que sua causa permaneça desconhecida e não seja tratada. Tirem os medicamentos naturais de seu alcance, para que eles vivam menos de ações preventivas, e cada vez mais intoxicados com químicas que acomodem sua consciência. Estimulem o uso do álcool e das drogas, lícitas ou ilícitas: criem o hábito de se recorrer aos entorpecentes ao menor sinal de sofrimento, pois assim eles estarão mais distantes da resolução de seus conflitos internos. Façam com que os seres humanos vivam uma verdadeira era da intoxicação, pois assim eles estarão muito mais propensos a doenças, a transtornos mentais e menos dedicados a causas humanitárias e de transformação social e espiritual.”

“Para finalizar, devemos combater com força dois sentimentos humanos: a fé e a esperança.”

“Para desmerecer a fé, devemos sempre associá-la as religiões. Mesmo sendo a fé uma convicção íntima de uma realidade transcendente, precisamos influenciar as pessoas de que a fé é sinônimo de crença cega, de fanatismo e de conformismo com dogmas religiosos. Neguem a todo custo que a fé seja o sentimento íntimo de uma realidade divina, um farol que guia a um porto seguro, e preguem com toda a ênfase que todas as formas de fé são idênticas, assim as pessoas não poderão distinguir a fé genuína, que nasce de uma aproximação do ser com o cosmos, e a fé fundamentalista, que está subordinada a um conjunto de credos.”

“E finalmente, a esperança. Temos que trabalhar ao máximo para apagar a palavra esperança dos corações humanos. As pessoas precisam acreditar que não existe esperança de um futuro melhor, que nada vai mudar, que tudo sempre foi do jeito que é, e que qualquer coisa que se faça para transformar a realidade atual é pura perda de tempo, pois não trará nenhum resultado.”

Quando os demônios já começavam a deixar o local de reunião, o chefe das trevas gritou-lhes:

“Não se esqueçam: tirem a esperança deles… e façam com que acreditem que não são capazes de transformar o mundo através da transformação íntima. Isso é muito importante: não permitam, em hipótese alguma, que eles percebam que são capazes de transformar a realidade atual.”

HUGO LAPA

imagem: /Anselm Kiefer

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Me dou o luxo...


Me dou o luxo...

"Sou daquelas pessoas que têm a alma distraída
e atravessam a vida com confiança, sem medo de cruzar becos escuros e estradas
movimentadas... que diz o que sente e sente o que diz, olha no olho e acredita
no que ouve, porque não acha que as pessoas tenham razões para mentir ou
motivos para enganar... que não sabe representar personagens nem diz sim às
tentações narcísicas que alguns minutos de sucesso põem à mesa.

Nessa imperfeição toda de quem tem o coração à mostra
num mundo tão doente, já pulei muitos muros traiçoeiros, atravessei mares
raivosos e venci tempestades. O mais difícil, porém, foi/é sobreviver à fúria
dos vaidosos contrariados e às epidemias de falsidades e desamor...

Depois de tantos caminhos percorridos, tantos erros
e acertos, me dou o luxo de só ter como amigo quem compreende a língua do
coração e sabe ler a poesia da vida, quem tem a alma distraída de maldades;
quem é incapaz de uma indelicadeza por palavra, ato ou omissão, quem não concebe
a bondade como escambo e se admite falível. Sou muito imperfeita para conviver
com os deuses sem maculá-los. Ou com demônios sem não feri-los.

Por isso não me causa nenhuma dor eliminar os
atiradores nem os jogadores acostumados a fazer da vida um bingo ou um
carteado, não me fere nenhum princípio deixar de acender vela para os falsos
santos ou expulsar do meu templo os sepulcros caiados...

Tenho muita preguiça pra ser infeliz e falta-me
disposição pra viver triste e insatisfeita perto de quem não é falível e
maravilhosamente complexo como os seres verdadeiramente humanos. Quem não se
sentir elo de corrente que se desgarre... só acredito na vida que se faz pela
união, pela compreensão mútua e pelo amor incondicional."


Aíla Sampaio

Fonte: http://literaila.blogspot.

PS: Para reflexão profunda e com discernimento... GEPER.

domingo, 30 de outubro de 2011

EGO.


Ego

Todos nós nascemos sem um ego. Quando uma criança nasce, ela é apenas consciência: flutuando, fluindo, lúcida, inocente, virgem, sem ego. Aos poucos, o ego é criado pelos outros. O ego é o efeito acumulado das opiniões dos outros sobre você.

Um vizinho chega e diz "Que criança bonita!", e olha para a criança com um olhar de apreciação. Então o ego começa a funcionar. Alguém sorri, uma outra pessoa não sorri. Algumas vezes a mãe é muito carinhosa, outras vezes está muito zangada.

E a criança vai aprendendo que não é aceita como ela é. Seu ser não é aceito de forma incondicional: há condições a serem satisfeitas. Se ela grita e chora e há visitas na casa, sua mãe se zanga. Se ela grita e chora, mas não há visitas na casa, sua mãe não se importa.

Se ela não grita, nem chora, sua mãe a recompensa sempre com beijos amorosos e com carinho. Quando há visitas, se a criança sabe ficar quieta, em silêncio, sua mãe fica muito feliz e a recompensa. A criança vai aprendendo as opiniões dos outros sobre si mesma olhando no espelho dos relacionamentos.

Você não pode ver a sua face diretamente. Você tem que olhar em um espelho, e no espelho você pode reconhecer sua face. Esse reflexo se torna sua ideia de sua face, e há milhares de espelhos a seu redor, todos eles refletindo algo. Alguém o ama, alguém o odeia, alguém é indiferente.

E então, aos poucos, a criança cresce e continua acumulando as opiniões de outras pessoas. A essência total dessas opiniões dos outros constitui o ego. A pessoa começa a olhar para si mesma da forma como os outros a veem. Começa a se olhar de fora: isso é o ego.

Se as pessoas gostam dela e a aplaudem, ela pensa ser bela, estar sendo aceita. Se as pessoas não a aplaudem e não gostam dela, rejeitando-a, ela se sente condenada. Ela está continuamente procurando formas e meios para ser apreciada, para ser repetidamente assegurada de que possui valor, que possui um mérito, um sentido e um significado.

Então a pessoa passa a ter medo de ser ela mesma. É preciso encaixar-se na opinião dos outros.

Se você deixar de lado o ego, subitamente se tornará novamente uma criança. Você não estará mais preocupado com o que os outros pensam sobre você, não prestará mais atenção àquilo que os outros dizem de você.

Nesse momento, terá deixado cair o espelho. Ele não tem mais sentido: a face é sua, então por que perguntar ao espelho?

Osho, em "Osho de A a Z: Um Dicionário Espiritual do Aqui e Agora

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

PAZ


"O que é a paz?
Para a maior  parte das pessoas, esta palavra evoca a possibilidade de viver tranquilamente ao abrigo de qualquer agressão. Mas, na realidade, a paz é uma coisa completamente diferente; é o trabalho mais intenso que pode ser realizado no mundo por seres que aprenderem que ela é, em primeiro lugar, um estado interior. Este estado é o resultado de uma vitória obtida com autoridade sobre todos os antagonismos psíquicos que nos dividem.  Para conseguirmos instalar a paz em nós, devemos restabelecer todos os dias a ligação entre a nossa consciência e os centros espirituais que existem no nosso cérebro e no nosso plexo solar.
Quando o conseguimos, nem os tormentos, nem as angústias tomam verdadeiramente posse de nós. Mas devemos agarrar-nos solidamente a um ponto fixo em nós, senão nada nem ninguém pode, do exterior, trazer-nos a paz."
OMRAAM MIKHAEL AIVAN OV

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

È preciso buscar seus motivos na vida espiritual

Os instrumentos que servem a quem pratica um esporte são os mesmos, em potencialidade, a quem produz um quadro; ambos estão extravasando seus sentimentos.
O Homem busca sempre a perfeição em seus atos na vida terrena, mas se esquece de buscar seus motivos na vida espiritual.
É preciso que ele vá buscar em seu passado encarnacional os motivos presentes do sofrimento e também das alegrias.
Todo ser humano já viveu vidas diferentes; é natural que de todas suas oportunidades traga algo pertencente as suas andanças. É por isso que muitos trazem aptidões sem que percebam que são oportunidades vividas em outras vidas e, por que não dizer, também em outros planos.
As experiências marcam uma oportunidade e é bem nítida toda sua impressão, que deixa profundos traços de caráter, pois toda a vivencia de cada espírito fica em seu lastro encarnacional, e é sua marca de personalidade..
-- Uma vida influi na outra oportunidade?
Existe uma personalidade própria em cada encarnação, inclusive pela herança genética de sua família. Mas existe um toque indelével em sua personalidade que o liga ao passado; é tão forte que, às vezes, em muitas encarnações há a recordação de ter vivido cenas completamente iguais muitas vezes.
O espírito guarda seu lastro de emoções. É bem verdade que ele tem que trilhar novas experiências, grandes emoções, mas é também verdade que todas as vezes que ele encarna adquire novas oportunidades de colocar a prova seu livre-arbítrio, seu proceder mais intimo no jogo da vida, que dá sempre novas oportunidades para que ele se eleve que possa cumprir com dignidade aquilo que aqui veio fazer.
O tempo é limitado a cada experiência, portanto, não deve o humano desperdiçar com futilidades sua vida, pois ele é a morada do espírito que veio não para gozar de bens fúteis, materiais, mas sim para se pôr ao dispor de seu irmão, veio para amar e ser amado, dar aquilo de que é formado.
O homem luta sempre contra a própria personalidade, luta para que seus desejos sejam satisfeitos, esquecendo-se de que está em seu lado intimo, em sua essência, tudo o que de mais puro traz, e sofre; ao mesmo tempo, perde grande oportunidade de crescer espiritualmente, de alcançar a plenitude do espírito, sua evolução, e vê sua permanência inútil, sua oportunidade perdida, e tudo voltado para o vazio de realizações.
A vida é dada sempre como oportunidade de ser vivida, como um prêmio e não como um castigo, para que todos se encontrem e se apoiem, mas também que sigam os sentimentos mais íntegros do se humano e que juntos alcancem a
LUZ, a PAZ, o AMOR.
Ramatís - O Despertar da Consciência
obra psicografada por Maria Margarida Ligouri